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A carta ao sentimento da união.

Querido Amor, 
Para começar esta pequena grande carta, quero dizer-te que nunca chamo querido/a a alguém, faz me sentir que estou a puxar por uma simpatia desnecessária, além disso conheço-te mal para saber se és querido. É por isso que te escrevo hoje. Para te explicar o quão a nossa relação é estranha. 
As pessoas definem-te facilmente, falam de ti a torto e talvez a direito e eu falo de ti sem certeza alguma daquilo que estou a dizer. És uma incógnita na minha cabeça, chegar até ti parece-me uma impossibilidade. As pessoas pedem-me conselhos sobre ti, sobre como agirem para concretizar o objetivo de as fazeres felizes e eu só vejo as coisas a dar para o torto. 
Na minha pequena opinião acho que tu trabalhas bem com a verdade, as pessoas aproximam-se de ti se criarem uma relação de lealdade com base na confiança mutua. Passam por uma relação de amizade e têm aquele clima de atração, que lhes permite caricias e paixão. O problema destes seres é quererem tirar proveito de ti como desculpa para satisfazer o ego e o desejo de se sentirem bem, de se sentirem concretizados. Acho que tu sabes que não é por aí o caminho, tu gostas de ser oferecido e não usado. 
Não sei se te preocupa que a se não fores sólido, como és naqueles casais idosos que passeiam na rua de mão dada para se ajudar sem vaidade, se fores apenas usado, o que pode pode vir a seguir. Aquela vontade de partir para a violência, chorar e deixar de acreditar em ti. 
Digo-te que não tem sido fácil, acreditar em ti é tarefa difícil, oferecer-te como prenda, substituindo um presente poucas pessoas valorizam. Abrir o embrulho é o emocionante, tu ultimamente pouco contas. As pessoas teatralizam como se as ruas fossem um palco, preferem expressões de desprezo com o olhar em vez de se abraçar. 
O terreno é escorregadio com tanto egoísmo e falta de naturalidade que por aí paira, mas continuo admirar a tua capacidade de união, a capacidade que tu tens de fazer com que as pessoas se entreguem umas as outras da base ao teto da verdade. 
Conto contigo para despertares nós pequenas criaturas para o melhor, a união que apenas contigo presente se transmite. Bom trabalho. 
Saudações, Catarina Silva 

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